D1G-ID

D1G-ID

Isso não é um vírus è somente poesia
de janela em janela,se abrem em rimas
mergulho virtualizado, imagens e vídeos
desfragmentado, reinterpretados, pixels

a distancia vemos o todo, bonito, formoso
atomicamente um freixo de luz independente
individuado, maleável, flexível, liquido
o pó da farinha, não como a massa, o trigo

O artista
è o alquimista que faz a tinta
e sabe o que significa pintar,
limitar, o horizonte de quem
com inocência a sua tinta usar, .

Deus, programador de realidade virtual
projeta a gravidade e os limites do real,
do meu vagar, a vida nos leva,
sem seus cálculos mostrar.

Sei, atras dessa imagem tem numeros a rodar.
A vagar, a mostrar, a rodar,
Sociedade de pixels!
Independentes, livres,
donos da propria luz
se conduz,
como um trem sobre os trilhos
nas mesmas trilhas, programadas
vaga, mostra, roda
Sem delongas, brilhos solitários
dentro de armarios,
encantados com a propria luz.
Narciso e seu reflexo,
o humano e a água,
o tudo e o nada,
ponto de vista.
Autor: Aumerd Fancul

Na curva do rio

Na curva do rio

A humanidade é perversa
sorri e se diverte atrás de muros
se nega a escutar o rumor do murro
Aumenta o volume do absurdo
levanta o vidro do carro
vira a cara
para a alma parada
no semáforo
A humanidade é uma.
E nega a humanidade dos “outros”
que outrora choravam
estes ainda choram
sem causar comoção
perdem as unhas, os dedos, os ossos
procurando escalar as dificuldades
que so aumentam e em um rebento
fazem-se de bobos, humilham-se
bajulam para serem aceitos.
E’ so a cara que esta nessa parada
pq o bonde passa e deixa no chao
esse uniforme de escravo, capacho
e volta pro mundao.
Onde classe media é comedia
e nao patrao.
nos canal pagando de locao
E nem reconhece a quem nao
extendeu a mao,
ja que ninguem a extende
essa eh a divisao.
q facilita a dominaçao.

Autor: Almerd Fancul

Perder o senso

Perder o senso

Que ridículo, que feio,
imoral, imprestável.
olhos serrados e bocas,
bocas molhadas de vontades
reprimidas pelos espelhos
colados nas impressões alheias,
alheias as proprias necessidades.

Estou nu, perdendo me no desejo
de chocar, esses olhos famintos
de moral, impossível de seguir
Não sou o caminhão que carrego
o teu peso de vida não vivida.
Carrego somente o peso da escolha
de ser oposição à falta de liberdade,
aos olhos julgadores e desejosos
ávidos pela segurança do lugar comum
da imposição de uma vida enlatada.

Estou nu vestido, exatamente oposto
do avesso, invertendo o que consigo
somente pelo prazer de descobrir
de ter certeza que o mundo não é
como querem me mostrar, quero ver
quero perder os sentidos,
perdi o senso do ridículo.

Autor: Almerd Fancul

Mundo real

Mundo Real

Alucinado sem nenhum aditivo
nenhum dispositivo me iludia
vago, ligeiramente imersivo
planos diferentes quem diria
realidade de muitas verdades
vaidades escondidas em luzes
ofuscam a visão, olhos cegos
desejos cegos, vidas cegadas
de proposito, seguindo a luz

voa pernilongo hipnotizado
todo desejo é inalcançável
queima rápido como um papel
com a possibilidade do toque
desejo queimado, desejo mudado
pessoa zuada, vida sugada
sem nem entender nada
o pernilongo voa para tocar a luz

São painéis eletrônicos de zumbis
plinplin, plinplun, publicidades
para um publico alvo, fácil.
que lê mas não entende,
que vê mas não enxerga,
que toca e não sente.
que absorve tudo
lembrando do tempo de fome,
de fome de coisas não comestiveis,
com a insaciável fome de desejos.
Androides programaveis para serem,

pernilongos atras da luz.

Autor: Almerd Fancul

Hum…

Hum…

Me encurralou em uma esquina de prazer
preso na luxuria prorrogando escolher
Cativeiro que trasborda o vicio carnal
E’ sim e não até chegar ao final

Moralmente questionável,
não quero me mover.
Encarcerado na tua carne,
trasandado modo de viver

Os desejos vivem em outros corpos
porém estou sempre sem enérgia.
Suas presas me sugam a alma
até a última gota de sinergia.

Baco e Dionísio dançam comigo
se divertem nesse ciclo contìnuo
Anestesiado, fadado a promiscuidade
me lamento sorrindo, pura vaidade.

Um dia de cada vez passa veloz
aos poucos percebo que sou meu algoz
Doce maldade que finjo não querer
sem pensar nas consequências,
que cairão sobre mim e você.

Autor: Almerd Fancul

Bar

Bar

Tem um primeiro copo,
um primeiro cigarro,
tantas palavras liquidas
assuntos transcendentais
de ateus agnósticos cristãos.

O fim do mundo ou invasão aliena
complôs do Estado, dieta vegetariana
tempo perdido em performances d’arte
cada vida um artista em cena, no sense.

A guerra na Síria e as hordas de barbaros
o conforto angustiante de não dividir
de esconder o que falta para alguém
a asfixiante sensação de ter a mais.

Comparações confortantes, não sou o ultimo!
Sem nunca questionar os que estão por cima.
vida de migalhas sonhando-se Luís quatorze,
Eduardo Cunha, Sarneis e Roberto Marinhos

Um segundo copo, um cigarro de maconha
a margem da sociedade, dentro das utopias
um mundo possível e não desejado, virtude
O que penso existe, existiu ou existirá.

Amigos não conhecidos se descobriam
na curiosidade que costura ideias
de mentes conflitantes que aceitam
errar, vagabundar no real imaginario

Fechados em caixas chamadas lar
temos o bar, lugar de interação
mediação, filtrada por entorpecentes
que nos faz esquecer que não temos futuro.

Auor: Almerd Fancul

Voz


Voz

Uma voz me atingiu
como uma nuvem de concreto
Minhas celulas vibraram por anos
misturando passado, presente e futuro.
Tudo virou um rio sem fim nem inicio
uma serpende sem rabo e sem cabeça
Incessante fluxo de almas camufladas,
misturadas, em transformação.

Outras vozes que fluem no espaço
que ninguém consegue controlar.
Tudo era um sonho
onde acreditava que era de carne e osso
e sentia que a vida tinha limites

Almerd Fancul

Rua sem esperança

Rua sem esperança

O perdão é uma faca afiada
te fura na tua culpa e se afunda
na tua carne.

A cada movimento do corpo
tortura a alma do culpado
permite que quem perdoa
se transforme em um carrasco.

Sempre que pode tira
um pouco da tua pele,
uma unha, um dente.

Tudo é aceitável a quem perdoa.
Ao perdoado sobra o resto,
a autoflagelação,
o jogo de faz de conta.

Autor: Almerd Fancul

Sujeira na lente

Aos trinta anos descobri o medo
Me vi flutuando sobre prédios
Fiquei imóvel esperando a queda
Tudo se estabilizou, estava seguro
Ainda assim me sentia bloqueado

O chão estava la, a gravidade também
Os pássaros passavam deslizando
As pessoas dos prédios me viam
Me cumprimentavam, tudo estava normal
Eu era uma estrela fixa,
Uma sujeira na lente da maquina fotográfica.

Tudo a minha volta estava “normal”
As pessoas caminhavam, trabalhavam
Tudo acontecia abaixo de mim.
Tudo “normal” e eu não via nenhum sentido.
Voar parado, não decidir, não ter rumo,
Estável esperando acontecer alguma coisa.

Almerd fancul